Home
16/09/2026
Uma criança que evita levantar a mão por medo de errar, desiste rapidamente de uma tarefa difícil ou acredita que nunca conseguirá acompanhar os colegas pode estar demonstrando insegurança em relação às próprias capacidades. A autoestima interfere diretamente na maneira como crianças e adolescentes enfrentam desafios, participam das atividades e interpretam erros e conquistas.
Durante a infância, essa percepção sobre si mesma ainda está sendo construída. As experiências em casa, na escola e nas relações com outras pessoas contribuem para que a criança forme uma imagem de suas capacidades, dificuldades e possibilidades.
Autoestima não significa acreditar que consegue fazer tudo nem receber elogios o tempo inteiro. Uma percepção mais equilibrada permite reconhecer qualidades, compreender limitações e manter disposição para aprender mesmo quando o resultado não aparece imediatamente.
Desde os primeiros anos, as respostas dos adultos ajudam a criança a interpretar o que acontece com ela. Quando uma tentativa recebe atenção, uma dificuldade é orientada de maneira respeitosa e há oportunidade de tentar novamente, a criança reúne experiências que contribuem para aumentar sua segurança.
Na escola, esse processo aparece constantemente. Fazer uma pergunta, apresentar um trabalho, participar de um grupo, solicitar ajuda ou refazer uma atividade exige algum grau de confiança. “A criança precisa perceber que consegue avançar, mesmo quando encontra dificuldades. Reconhecer um progresso concreto costuma ser muito mais importante do que simplesmente dizer que ela é boa em determinada atividade”, explica Rosimeire Leme, diretora pedagógica do Colégio João Paulo I, de São Paulo.
Essa percepção ajuda a compreender por que elogios genéricos nem sempre produzem o efeito esperado. Quando o adulto identifica algo específico — uma leitura que ficou mais fluente, uma tarefa organizada com maior autonomia ou uma dificuldade enfrentada com persistência —, a criança consegue relacionar esforço, estratégia e evolução.
A convivência expõe naturalmente as crianças a diferentes habilidades. Um colega pode ter facilidade em matemática, outro em esportes, outro em leitura ou comunicação. O problema surge quando a comparação se transforma na principal referência para avaliar o próprio valor.
Uma criança que ouve repetidamente que um irmão ou colega aprende mais rápido pode interpretar a diferença de desempenho como sinal de incapacidade.
Uma alternativa mais adequada é observar o próprio percurso. Comparar o que a criança conseguia fazer anteriormente com aquilo que já realiza hoje permite identificar avanços de maneira concreta.
Essa abordagem não significa eliminar critérios ou expectativas. Notas, prazos e objetivos continuam fazendo parte da vida escolar. O cuidado está em evitar que um resultado isolado seja usado para definir a capacidade da criança ou seu valor pessoal.
A forma como adultos lidam com erros também interfere na autoestima. Uma resposta incorreta, uma nota abaixo do esperado ou uma dificuldade específica podem ser interpretadas pela criança como prova de que não é capaz.
Ironias, rótulos e exposição pública tendem a aumentar esse risco. Dizer que alguém é preguiçoso, desatento ou incapaz transforma um comportamento ou uma dificuldade momentânea em uma característica pessoal.
Uma orientação mais objetiva descreve o que ocorreu e indica aquilo que pode ser melhorado. Assim, a criança entende que pode ter dificuldade em determinada tarefa sem concluir que é incapaz de aprender.
“O erro precisa indicar o que ainda pode ser trabalhado, e não funcionar como uma definição do aluno. Quando a criança consegue rever uma estratégia e tentar novamente, ela também desenvolve confiança para enfrentar situações futuras”, observa Rosimeire Leme.
Permitir uma nova tentativa, explicar onde surgiu a dificuldade e oferecer uma devolutiva respeitosa mantém a criança vinculada ao processo de aprendizagem.
Realizar tarefas compatíveis com a idade contribui para que a criança perceba que consegue agir e tomar pequenas decisões. Guardar objetos, organizar materiais, escolher entre alternativas ou resolver situações simples são experiências que favorecem essa construção.
A ajuda dos adultos continua importante, mas pode diminuir gradualmente. Quando tudo é feito pela criança, ela perde oportunidades de perceber que consegue realizar determinadas tarefas sozinha.
O excesso de proteção pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado. Ao retirar sistematicamente qualquer dificuldade do cotidiano, os adultos podem transmitir, mesmo sem intenção, a mensagem de que a criança não consegue enfrentar desafios.
A autonomia precisa ser acompanhada de limites e expectativas realistas. Dar responsabilidades incompatíveis com a idade ou exigir desempenho permanente também pode aumentar insegurança e medo de falhar.
A autoestima fragilizada nem sempre aparece em uma declaração direta. Algumas crianças passam a evitar determinadas atividades, escondem dúvidas, recusam tarefas ou demonstram medo excessivo de errar.
Mudanças persistentes merecem atenção, principalmente quando há queda de participação, isolamento, choro frequente diante de atividades ou comentários recorrentes de incapacidade.
As relações com colegas também precisam ser observadas. Apelidos ofensivos, rejeição, humilhações e comparação constante podem interferir na forma como a criança percebe o próprio valor e seu lugar no grupo.
Família e escola conseguem compreender melhor essas situações quando trocam informações sobre comportamentos, dificuldades e mudanças percebidas em cada ambiente.
A autoestima se desenvolve de maneira gradual e pode oscilar de acordo com as experiências vividas. Mais relevante do que esperar segurança constante é observar se a criança consegue reconhecer avanços, aceitar ajuda, enfrentar dificuldades compatíveis com sua idade e manter participação mesmo quando precisa tentar novamente.
Para saber mais sobre o assunto, visite: https://institutopensi.org.br/sete-praticas-essenciais-para-fortalecer-a-autoestima-infantil