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menina roendo unha

Quando o corpo dá sinais de ansiedade

11/08/2025

Mãos suadas, palpitações, dores de barriga e o hábito persistente de roer as unhas são comportamentos comuns em muitas crianças, especialmente em momentos de tensão ou novidade. Mas quando esses sinais se tornam frequentes e intensos, podem ser manifestações físicas de ansiedade infantil. Reconhecer esse tipo de sintoma, muitas vezes silencioso, é fundamental para garantir que a criança receba o acolhimento e o suporte adequados em casa e na escola.

A ansiedade faz parte do desenvolvimento e pode surgir de forma pontual diante de situações desafiadoras, como uma prova, uma mudança na rotina ou o primeiro dia em uma nova escola. No entanto, quando começa a interferir no bem-estar, no sono, na alimentação e nas relações sociais, ela deixa de ser passageira e precisa ser encarada com mais cuidado. E como as crianças ainda não têm total capacidade para identificar e nomear sentimentos, o corpo acaba sendo a forma mais direta de expressão.

Dor de barriga, enjoos, falta de ar, tensão muscular, ranger os dentes ou morder objetos — como lápis e roupas — são algumas das manifestações físicas que podem indicar um quadro de ansiedade. Quando esses sintomas se repetem em contextos semelhantes ou surgem sem explicação médica, é hora de olhar com atenção para o que pode estar por trás desses comportamentos.

Ansiedade se manifesta pelo corpo e exige atenção dos adultos

Muitos pais tendem a minimizar ou desconsiderar essas expressões por acreditarem que se trata de uma fase. Porém, o impacto da ansiedade infantil pode ser profundo. Crianças ansiosas costumam apresentar dificuldades de concentração, recusa em participar de atividades, insônia, choro frequente e, em alguns casos, isolamento social. À medida que crescem sem o apoio adequado, podem desenvolver problemas emocionais mais complexos na adolescência ou vida adulta.

Na escola, comportamentos como inquietação constante, irritabilidade, retraimento ou medo de se expor em sala de aula costumam ser sinais de alerta. O ambiente escolar, por reunir elementos sociais, acadêmicos e relacionais, pode ser desafiador para muitas crianças. Professores, coordenadores e orientadores educacionais têm um papel essencial na identificação de mudanças de comportamento.

"A ansiedade infantil nem sempre é percebida de forma clara pelos adultos, especialmente porque muitas vezes se manifesta de forma corporal", afirma Rosimeire Leme, diretora pedagógica do Colégio João Paulo I, de São Paulo. "Nosso olhar deve ser sensível, sem julgamento ou exagero, e sempre voltado para compreender o que a criança está tentando comunicar", orienta.

Um dos exemplos mais comuns é a onicofagia, ou seja, o ato de roer unhas. Ainda que possa surgir por imitação ou hábito, é frequente que esteja ligado a sentimentos como tensão, medo ou insegurança. O mesmo vale para crianças que puxam os cabelos, mordem objetos ou apresentam suor excessivo em determinadas situações. Nesses casos, é importante observar em que momentos isso ocorre: antes de uma apresentação? Ao se despedir dos pais? Diante de mudanças na rotina?

Nem sempre a solução está em intervir diretamente no comportamento. Dizer “pare com isso”, por exemplo, raramente surte efeito. Em vez disso, o ideal é criar espaço para escuta. Conversar com a criança, perguntar como ela se sente, dar nome às emoções e mostrar que ela não está sozinha ajudam muito mais. Acolher, sem ironia ou pressão, fortalece o vínculo de confiança.

Quando a ansiedade não causa prejuízos significativos, a família pode propor pequenas estratégias para ajudar a criança a se autorregular. Oferecer uma bolinha antiestresse, propor atividades manuais, incentivar o desenho ou a escrita como formas de expressão são caminhos eficazes. O importante é que a criança participe dessas escolhas e não se sinta punida por aquilo que sente.

Nos casos mais intensos, quando os sintomas persistem por semanas, atrapalham o sono, a convivência social ou o rendimento escolar, é indicado procurar um psicólogo infantil. O atendimento especializado permite que a criança desenvolva recursos internos para compreender seus sentimentos, ganhar segurança e encontrar formas saudáveis de lidar com as emoções.

O papel da escola não se limita à observação. Espaços para escuta, atividades que incentivem a expressão emocional, práticas de relaxamento, jogos cooperativos e momentos de conversa ajudam a reduzir a tensão no ambiente escolar. Mais do que resolver problemas, trata-se de criar um ambiente de segurança emocional, em que cada criança se sinta acolhida e respeitada.

Outro aspecto importante é a parceria entre escola e família

Muitas vezes, os sinais aparecem com mais intensidade em casa ou na escola, e o compartilhamento dessas percepções permite um acompanhamento mais eficaz. Situações como recusa em ir à escola, birras frequentes, mudanças no apetite ou medo excessivo devem ser discutidas com tranquilidade e empatia.

O ambiente familiar também precisa ser preparado para lidar com a ansiedade infantil. Evitar cobranças excessivas, reduzir o nível de estresse no lar, garantir momentos de convívio afetuoso e respeitar o tempo da criança fazem parte desse processo. Pequenas rotinas, como o ritual do sono, o horário para as refeições ou o tempo de lazer livre, contribuem para uma sensação de estabilidade.

A prevenção é um pilar fundamental. Crianças que têm tempo para brincar, explorar a natureza, interagir com outras pessoas e descansar estão mais protegidas emocionalmente. O excesso de telas, compromissos e cobranças pode ser um gatilho para quadros de ansiedade, especialmente quando a criança ainda está desenvolvendo sua identidade e aprendendo a lidar com frustrações.

Outro ponto importante é o exemplo dos adultos

Pais ansiosos, que demonstram constantemente tensão ou irritação, acabam transmitindo essa instabilidade aos filhos. Por isso, cuidar da própria saúde emocional também faz parte do cuidado com as crianças. Demonstrar que sentir medo ou nervosismo é normal, e que existem maneiras de lidar com esses sentimentos, é uma forma valiosa de educação emocional.

A ansiedade infantil não deve ser ignorada. Reconhecer os sinais corporais e oferecer acolhimento é o primeiro passo para ajudar a criança a compreender suas emoções e encontrar caminhos para o bem-estar. Uma criança que aprende desde cedo a identificar o que sente e a lidar com isso com apoio se torna um adolescente e um adulto mais seguro, resiliente e empático. E essa construção começa com um olhar atento, afetuoso e presente dos pais e professores.

Para saber mais sobre ansiedade, visite https://hospitalsaomatheus.com.br/blog/onicofagia-habito-de-roer-as-unhas-pode-ser-sinal-de-ansiedade-e-outros-transtornos/ e https://www.suprevida.com.br/blog/criancas-de-6-a-12-anos-que-roem-unha?srsltid=AfmBOoq5aEO3sYFHGDvRfl2ks6p8vLF332uONUS13LcCyjn27Vg6qApm

 


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