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Como a aprendizagem acontece de formas diferentes na infância

Estilos de aprendizagem: como reconhecer sinais

08/06/2026

A aprendizagem ocorre de maneiras variadas ao longo da infância e depende de fatores como idade, maturidade, experiências, ambiente familiar, convivência escolar e características individuais. Algumas crianças assimilam melhor uma explicação quando veem imagens, esquemas ou exemplos escritos. Outras compreendem com mais facilidade quando ouvem uma explicação, participam de conversas ou realizam atividades práticas. Identificar essas diferenças ajuda pais e educadores a acompanhar o desenvolvimento com mais precisão, sem transformar preferências em rótulos.

Os chamados estilos de aprendizagem são formas predominantes pelas quais uma criança tende a receber, organizar e utilizar informações. Eles podem aparecer em situações simples da rotina escolar, como a maneira de prestar atenção à aula, resolver exercícios, memorizar conteúdos, participar de atividades em grupo ou demonstrar dúvidas.

Essa observação, porém, exige cuidado. Nenhuma criança aprende de uma única forma durante toda a vida escolar. As preferências podem mudar conforme o conteúdo, a fase de desenvolvimento, o contexto emocional e o tipo de atividade proposta. Por isso, os estilos de aprendizagem devem ser entendidos como pistas de acompanhamento, e não como classificações definitivas.

 

Principais formas de aprender

Entre os estilos mais conhecidos está o visual, associado a crianças que costumam se beneficiar de imagens, mapas, gráficos, cores, desenhos, vídeos, esquemas e organização espacial das informações. Esses alunos podem compreender melhor um conteúdo quando conseguem visualizar relações, etapas ou sequências.

Há também o estilo auditivo, observado em estudantes que apresentam boa resposta a explicações orais, conversas, leitura em voz alta, histórias, músicas, debates e repetições faladas. Em muitos casos, a criança organiza melhor o pensamento quando verbaliza o que entendeu ou quando escuta novamente uma orientação.

Outro perfil frequente é o cinestésico, ligado à necessidade de movimento, manipulação de objetos, experimentação, dramatização, jogos, atividades práticas e contato direto com materiais. Para esses alunos, compreender um conceito pode ser mais fácil quando eles participam ativamente da atividade, em vez de apenas observar ou ouvir.

Também existem crianças que aprendem melhor em interação com colegas e adultos, por meio de trocas, perguntas e colaboração. Outras demonstram maior rendimento em momentos individuais, com tempo para concentração, leitura silenciosa, registro escrito e organização pessoal. Essas diferenças mostram que a aprendizagem envolve tanto a forma de acessar a informação quanto o ambiente em que ela é trabalhada.

 

Como identificar preferências no dia a dia

A identificação dos estilos de aprendizagem depende de observação contínua. Na escola, professores podem perceber quais recursos favorecem maior participação, quais atividades geram mais engajamento e em quais situações o aluno demonstra dificuldade para acompanhar a proposta. Em casa, pais e responsáveis também podem notar como a criança reage ao estudar, brincar, contar o que aprendeu ou enfrentar tarefas que exigem atenção.

“O mais importante é observar como o aluno se envolve com diferentes propostas e quais estratégias ajudam sua compreensão, sem reduzir a criança a um único jeito de aprender”, afirma Rosimeire Leme, diretora pedagógica do Colégio João Paulo I, de São Paulo. 

Alguns sinais ajudam nessa leitura. Uma criança pode pedir para desenhar o conteúdo, outra pode repetir em voz alta o que ouviu, enquanto outra precisa montar, tocar, movimentar-se ou testar hipóteses para entender melhor. Esses comportamentos indicam preferências, mas não devem ser tratados como limites.

Também é importante observar quando a criança demonstra desmotivação, insegurança ou resistência constante a determinadas atividades. Em alguns casos, a dificuldade pode estar relacionada ao formato da proposta. Em outros, pode envolver fatores emocionais, falta de repertório, lacunas anteriores ou questões que exigem avaliação especializada.

 

O risco de rotular o aluno

O uso inadequado dos estilos de aprendizagem pode gerar distorções. Quando se afirma que uma criança é “visual”, “auditiva” ou “cinestésica” como se essa fosse uma característica fixa, há risco de restringir suas experiências. Um aluno com preferência por atividades práticas também precisa desenvolver escuta, leitura, escrita, concentração e capacidade de abstração. Da mesma forma, uma criança com facilidade para recursos visuais precisa ser estimulada a participar de conversas, registrar ideias e experimentar outras formas de aprender.

A função da escola e da família é ampliar repertórios. Isso significa oferecer diferentes linguagens e estratégias para que o estudante desenvolva novas habilidades. Variar recursos didáticos, propor atividades individuais e coletivas, combinar explicações orais com registros visuais e incluir práticas concretas são formas de atender a diferentes necessidades sem limitar o aluno.

A comparação entre crianças também pode prejudicar esse processo. Ritmos diferentes fazem parte do desenvolvimento e nem sempre indicam atraso. Algumas crianças avançam com rapidez em leitura, mas precisam de mais tempo em matemática. Outras demonstram facilidade em atividades manuais, mas encontram dificuldade em organizar ideias por escrito. Avaliar apenas o resultado final pode esconder avanços importantes no processo de aprendizagem.

 

O papel da família e da escola

A parceria entre família e escola contribui para uma compreensão mais completa do aluno. Professores observam a criança em situações coletivas, diante de diferentes conteúdos e demandas pedagógicas. Pais e responsáveis acompanham comportamentos em casa, reações emocionais, hábitos de estudo e interesses cotidianos. Quando essas percepções são compartilhadas, fica mais fácil ajustar estratégias.

Segundo Rosimeire Leme, a troca entre adultos ajuda a evitar interpretações apressadas. “Família e escola conseguem apoiar melhor a criança quando compartilham observações concretas sobre sua rotina, suas dificuldades e os recursos que favorecem sua participação”, explica.

Em casa, atitudes simples ajudam a identificar preferências. Durante uma leitura, é possível observar se a criança compreende melhor ouvindo a história, vendo imagens, comentando o texto ou representando a situação. Em jogos e brincadeiras, os adultos podem perceber se ela aprende por tentativa, imitação, explicação verbal ou experimentação. Nas tarefas escolares, vale acompanhar se precisa de esquemas, repetição oral, exemplos práticos ou pausas para organizar o raciocínio.

 

Quando procurar atenção especializada

Nem toda dificuldade de aprendizagem indica um problema específico. Oscilações de rendimento, dúvidas e necessidade de repetição fazem parte do percurso escolar. A atenção deve aumentar quando a dificuldade é persistente, afeta várias áreas, provoca sofrimento frequente, causa recusa constante às atividades ou vem acompanhada de mudanças importantes de comportamento.

Nessas situações, o primeiro passo é dialogar com a escola para entender como a criança se comporta em sala, quais estratégias já foram utilizadas e que avanços foram observados. Dependendo do caso, pode ser indicado buscar profissionais como psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos ou médicos especializados, sempre de acordo com a necessidade apresentada.

Compreender os estilos de aprendizagem ajuda a organizar melhor esse acompanhamento. A observação cuidadosa permite oferecer recursos variados, ajustar expectativas e reconhecer avanços reais. Na rotina escolar e familiar, esse olhar contribui para que a criança desenvolva novas estratégias, participe com mais segurança e amplie sua autonomia diante dos estudos.

 

Para saber mais sobre o assunto, visite: 
https://educador.brasilescola.uol.com.br/orientacao-escolar/os-diferentes-estilos-aprendizagem-cada-crianca.htm e https://aspectum.com.br/blog/estilos-de-aprendizagem

 


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